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Gestão & Estratégia

O Que a Kodak Errou (e Sua Empresa Pode Estar Cometendo o Mesmo Erro)

O erro não foi não ver a mudança. Foi ver a mudança e tentar proteger o modelo antigo.

Renova GP 20/04/2026

Por que isso importa para executivos

Empresas fortes não morrem por falta de tecnologia. Morrem por se recusarem a destruir o que funciona hoje pra garantir o que funciona amanhã. Este artigo mapeia o padrão e oferece um diagnóstico prático.

  • Reconhecer se sua empresa protege o modelo antigo em vez de abraçar o novo.
  • Identificar conflitos internos entre inovação e operação atual.
  • Criar um plano de transição antes da crise, não durante.
Em 1975, a Kodak inventou a câmera digital. A liderança mandou esconder.
O erro não foi falta de tentativa — foi tentar inovar sem canibalizar o modelo.
5 sinais de que sua empresa pode estar cometendo o mesmo erro.

Em 1975, um engenheiro da Kodak inventou a primeira câmera digital do mundo. A empresa tinha tudo: tecnologia, patentes, dinheiro, marca, distribuição global. Ninguém no planeta tinha mais condições de liderar a fotografia digital.

36 anos depois, a empresa entrou com pedido de falência.

Não foi porque não viram a digital chegando. Eles literalmente a inventaram. O erro foi outro.

O que parecia dar certo

Durante décadas, a Kodak foi uma das empresas mais lucrativas do mundo. O modelo era imbatível: vendia câmeras com margem baixa e ganhava dinheiro nos filmes e revelações — que o cliente precisava comprar repetidamente.

Era receita recorrente antes do termo existir. A Kodak tinha 90% do mercado de filmes fotográficos nos EUA. O nome “Kodak” era sinônimo de fotografia.

O erro que ninguém viu

Em 1975, Steve Sasson, engenheiro da Kodak, construiu a primeira câmera digital. Tamanho de uma torradeira. Resolução de 0,01 megapixels. Levava 23 segundos pra gravar uma imagem.

A reação da liderança: “É interessante. Mas não contem pra ninguém.”

Não por maldade. Por lógica. A câmera digital não precisava de filme. Se a fotografia digital vingasse, o modelo de receita recorrente — o coração dos lucros — desaparecia.

O erro real (que não é o que todo mundo conta)

A história popular é: “A Kodak não se adaptou à tecnologia.” Isso é superficial.

A Kodak tentou se adaptar. Lançou câmeras digitais nos anos 90. Investiu em digital. Criou um site de compartilhamento de fotos (Ofoto) em 2001 — antes do Instagram.

O problema não foi falta de tentativa. Foi como tentaram. Toda iniciativa digital tinha uma condição implícita: “pode inovar, desde que não canibalize o filme.”

O erro não foi não ver a mudança. Foi ver a mudança e tentar encaixá-la no modelo antigo.

O padrão que se repete

A Kodak não é um caso isolado:

  • Blockbuster — Viu a Netflix. Teve chance de comprar por US$ 50 milhões. Recusou porque o modelo de locadoras ainda dava lucro. Até não dar mais.
  • Nokia — Dominou celulares por uma década. Se recusou a abandonar o Symbian pelo touchscreen. O modelo de hardware era confortável demais pra trocar.
  • Jornal impresso — Todo mundo viu a internet. Quem tentou proteger impresso e digital simultaneamente perdeu os dois.

O padrão é sempre o mesmo: empresa forte + modelo lucrativo + mudança de mercado = tentativa de proteger o modelo antigo.

Como diagnosticar

Se reconheceu algum desses sinais, precisa de coragem que a Kodak não teve:

Separe o novo do antigo. Crie uma estrutura com métricas separadas, que pode competir com o negócio principal. A Amazon fez isso com a AWS — separada do e-commerce, com liberdade pra canibalizar.

Defina o momento de canibalizar. Não canibalize agora. Mas defina os gatilhos: “Se X acontecer, migramos pra Y.” Ter o plano antes da crise é o que separa quem sobrevive.

Ouça quem está errado. Toda empresa tem pessoas que alertam sobre mudanças. Geralmente são ignoradas porque incomodam o modelo atual. Crie espaço pra essas vozes.

Meça o futuro, não só o presente. Se suas métricas são todas do modelo atual, ninguém vai investir no novo. Crie indicadores que medem a transição.

5 sinais de alerta

1. Toda inovação esbarra no 'sim, mas nosso modelo atual funciona'. 2. Inovação existe como complemento, nunca como substituto. 3. Seus clientes mais fiéis são os que mais resistem à mudança. 4. O bônus depende do modelo atual, não do futuro. 5. Toda reunião sobre o futuro termina falando de meta trimestral.

“É interessante. Mas não contem pra ninguém.”
Liderança da Kodak Sobre a primeira câmera digital, 1975
“A Kodak não morreu por causa de tecnologia. Morreu porque se recusou a canibalizar o próprio modelo.”
Renova GP

Key Takeaways

  • Se toda iniciativa nova precisa 'não canibalizar' o negócio principal, você tem o mesmo conflito da Kodak.
  • Separe o novo do antigo — crie uma estrutura que pode competir com o negócio principal.
  • Defina gatilhos de transição antes da crise. O problema da Kodak não foi não ter a tecnologia — foi não ter um plano.

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